ainda chegando, lentamente

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nunca é fácil sair do ceará. sempre é lento o chegar aqui.
quando normalemnte volto em janeiro, além da saudade tem o choque térmico. desta vez, a temperatura está ótima, mas o coração ficou mais ressentido.
não é facil “largar” um filho longe pra viver um grande um amor. mas quem disse que a vida é fácil? quem disse que ser feliz é fácil? num é não. dá trabalho e muito.
mas este tipo de trabalho não me assusta, pelo contrário.
então já arregacei as mangas e estou aqui no incessante exercício de enxotar a culpa que teima em se instalar. são piores que sapo cururu, vão e voltam descaradamente sem pedir licença. adentram sem cerimónia, sem bater na porta e quando menos espero estão lá, deitadas em berço esplêndido.
haja consciência e firmeza pra não se acomodar com a presença incômoda delas. mas eu hei de vencê-las! :-) xô cururu!
trabalho mesmo eu tive pra acentuar todas as palavras acima!!!! depois de dois anos escrevendo sem acento, estou aqui toda embaralhada. graças a mirella isto foi possivel. ela fez um post explicando bem detalhado como configurar o teclado. tão fácil e a burra aqui não sabia. brigadaaaaaaaaa.
agora voces me dão licença que vou ali almoçar com a monica que ja conheci pessoalmente, e com a sthephanie que vou encontrar pela primeira vez e que esta indo morar em londres.
essa vida de blogueira tem rendido muitas amizades. oh coisa boaaaaaaaaaa.

a xurumela continua emocoes

a xurumela continua emocoes mexem muito com nosso corpo, sejam elas boas ou nao. acho que as emocoes do casamento agiram diretamente no meu ciclo mensal. alem de ter vindo antes, veio com gosto de gas. ai. o dia ontem foi “nada pela metade”. a noite passada, foi passada acesa. e eu? to aqui mais zumbi do que ontem. tudo que eu queiria era uma redinha, braquinha, bem limpinha preu me acomodar dentro dela e la ficar ate a xurumela passar. mas nem tem redinha e eu tenho trabalho daqui a pouco. entao, minha filha, reaja. va a luta.
update fui trabalhar, ganhei meu dindin e a xurumela passou. a gente respeita quando ela chega, mas num pode da muita corda pra ela se nao, se nao ela vai ficando. pronto.

e todo mundo pergunta: ” e ai? como ta a vida de casada?”. e eu tenho respondido: as unicas coisas que mudaram na minha vida foi a alianca no dedo e um monte de papel pra preencher pra mandar pra imigracao. I-485, I-130, I-131, I-765 e I-864. cada numero desse eh um formulario diferente, e cada formulario pede pra anexar alguns documentos. imagina o tanto de papel. na verdade o que mais me preocupa eh a autorizacao pra viajar. temos planos de ir pro brasil em dezembro, e sem esta autorizacao nao vai ter jeito. sair do pais eu saio, logico, mas quando voltar eles nao me deixam entrar. entao, a partir de agora a intencao da reza eh esta: que os papeis estejam corretamente preenchidos, com as palavras que eles querem ler, e com os devidos documentos anexados. aprendi ontem que o paul se responsabiliza e envia papeis comprovando que pode me sustentar por 10 anos. ou seja, durante 10 anos eu nao tenho direito aos beneficios que os cidadaos tem. acho que isso eh novidade pra evitar aqueles casamnentos de mentira. enfim. foi tudo enviado hoje pela manha. gracas! e ai eu comeco a entender porque tem tanta gente ilegal por aqui. eh muito dinheiro, gente. somando tudo chega a quase mil dolares. e ainda nao acabou nao. vem mais taxas pela frente. e esta bem mais complicado conseguir um visto de turista no brasil pra vir visitar os usa. todas as pessoas tem que ir pessoalmente ao consulado americano pra fazer entrevista. o problema eh que so existem 4 consulados neste pais de dimensao continetal: sao paulo, rio, brasilia e recife. imagina ai uma pessoa que mora em manaus ou belem ter que ir a recife so pra pedir o visto. pronto, acabou o dinheiro da viagem. e enquanto isso as empresas aereas operando no vermelho! ei ei.

maria das dores

hoje eu estou completamente “maria das dores”. minha cabeca ta zonzinha e eu nao consigo pensar direito com essa colica enchendo meu saco. hoje eh o dia xurumela do mes. respeito. amanha passa. entao, vou so agradecer bem muito a briba design

o nome eh esse mesmo e era nesta empresa de webdesign e design grafico que eu trabalhava antes de vir morar aqui. foi la que eu pude ficar conectada, via a cabo, o dia todo. um dos socios, ricardo, eh meu proprio primo e a relacao com eles nao era bem de patrao-empregado.
eles estao sempre online no icq e assim eu entrei na onda. foi ai que eu conheci o paul. e por isso e por outras muitas coisas mais, a briba eh um pouco responsavel pela minha felicidade.
hoje mais uma vez precisei deles e a resposta veio prontamente: precisava da minha certidao de nascimento que esta em fortaleza. em alguns minutos eu tinha minha certidao escaneada e enviada por e-mail! valeu ricardete! valeu henriqueta! valeu leo!
nao deixem de da uma olhada no site deles, vale a pena.

sabado, domingo…

visitas em casa.
casa pequena. minuscula.
duas, mulheres brasileiras, a mais, parece multidao.
mas eh bom. passeios turisticos no sabado.
ressaca do desejo nao atendido.
paul viajou hoje.
lembra quando eu tava radiante com todas as novidades de casa nova, cidade nova, trabalho, casamento? assim mesmo eh a vida.
tem umas curvas no caminho. alem de curvas, pedras.
e a gente pula. eu as respeito, as pedras e as curvas. fazem parte.
cat stevens, wild world. carly simon, i haven’t got time for the pain, killing me softly. carole king, tapestry.
cerveja, nao importa a marca, ta gelada. muitos cigarros.
mel com propolis e agriao que a visita trouxe do brasil pra aliviar.
hoje nao teve chet baker. hoje nao teve billy holiday. dava nao.
ai eh tao doido isso. minha vida aqui ta tao legal, tudo caminhando bem.
amor, suor, mudancas. e la no ceara nem tanto assim.
tudo se resolve.
mas quando? como? deus nao quer me enlouquecer. nao ta me dando tudo. ele deve ter razao.
tem aquela frase medonha: ‘talvez nao fosse ainda a hora certa”. ai como eu acredito e tenho raiva disso.
passou, a raiva. ficou ainda uma tonteira.
so o rei tempo, vai da um jeito nisso, com a ajuda do meu discernimento e da minhas atitudes.
ate la nao desistam de mim. pleeeeaaaaseee!!!
prometo ser uma menina mais feliz de novo, logo logo.

eu, mae


se eu nao tivesse tido um filho, certamente que eu teria perdido o prumo, o rumo, o fio da meada e so deus sabe onde eu teria ido parar. como uma boa aquariana, aventureira desprendida, possivelmente teria viajado muito pelo mundo afora, mas tive a oportunidade de fazer esta viagem infinita.
ja havia atravessado o atlantico duas vezes em veleiros. experimentei moradias curtas em porto rico e paris. agora iria navegar por outros mares. em 1983, fruto de uma paixao louca (pleonasmo?), engravidei. decidi que, embora a relacao com o pai fosse uma especie de “nosso amor nao deu certo, gargalhadas e lagrimas”, iria ser mae. tinha 22 anos.. ja morava sozinha e tinha um bom e interessante emprego numa afiliada da globo em fortaleza. a novela com a lidia brondi fazendo papel de mae-producao-independente ainda nao tinha comecado a passar, mas eu ja estava com a minha producao independente encaminhada. com o privilegio de ter uma familia super bacana, encarei a empreitada.
tive uma gravidez bem saudavel (mesmo nao tendo parado de fumar) apesar de trabalhar feito uma louca. bruninho nasceu de um parto cesariana, depois de todos os esforcos para ter parto normal. eu era natureba e queria parir de cocoras. fiz curso de respiracao e tive um cuidado alimentar impecavel. depois de mais de 6 horas em processo de dilatacao, fomos ao passo seguinte, o da explulsao. mas a cabeca nao passava nas ancas estreitas desta mulher de 1m48cm. quando pensou-se na posssiblidade de tira-lo com a ajuda de ferros, optei pelo corte. sem trauma.
amamentei durante um ano e meio. era a coisa mais maravilhosa ter aquele bebezinho lindo chupando loucamente meus peitos. quando voce ouvir alguma mae dizendo: “ele nao quer parar de mamar”, nao acredite. quem nao quer parar somos nos. eh bom demais. e tem o lado pratico. nunca fiz uma mamadeira de leite na minha vida e nossa bagagem era minima.
larguei o bom e interessante emprego porque nao aceitei a possiblidade de deixa-lo com uma baba e perder a viagem de acompanha-lo todas as horas. eles passam o resto da vida “grandes”. essa fase dos primeiros 3 anos era uma oportunidade de me reeducar, rever e ganhar novos valores, e eu nao quis perder isso.
aluguei meu apto e fui morar num sitio com uma amiga que tambem tinha parido ha pouco tempo. distante 80 km de fortaleza, o primitivismo fazia parte do lugar: nao tinhamos energia eletrica nem agua encanada. mas nao pense que a vida era dura por isso. pelo contrario, tinhamos a mordomia de ajudantes para os servicos bracais, e eu passava o dia inteiro dedicada tao somente a curtir essa viagem. quando o bruno dormia, ouvia-se o tilintar das moedas do I ching. era meu estudo de filosofia.
a vida intinerante seguiu-se ate 1986. da serra da palmacia nos mudamos para praia das goiabeiras, um bairro na periferia de fortaleza. desta vez na companhia de outra amiga que tinha 2 filhos um pouco mais crescidos. la montamos uma “mini-fabriqueta” de bolsas, mochilas e outros acessorios. eu cortava e administrava o orcamento e ela costurava. valia tudo pra trabalhar dentro de casa e continuar por perto.
nao durou muito, alguns meses depois estavamos indo pra franca. fomos morar em nantes. casa, comida, trabalho e um “marido” que nao estava nos planos. risos. ele era um amigo maravilhoso com quem fiz as viagens de veleiro, e quando la chagamos, ele estava a espera da familia pronta. porque nao tentar essa vida conjugal sem muita paixao? ele estava construindo um novo veleiro, e eu o ajudaria na construcao. serra eletrica, lixas, verniz, madeira e tintas passaram a fazer parte da minha vida. comparava o trabalho de tranformar tecido em bolsas com o corte da folha de compensado se transformando em camas, mesas e etc.
o inverno rigoroso e a saudade me levou de volta pro brasil alguns meses depois. dai em diante fiquei mais quieta. se eh que isso eh possivel. olhe onde estou agora.
bruninho cresceu com saude invejavel. minha mae nao se conformava dele nao ter “um medico”. e eu dizia: “mas mae, ele nao fica doente, como eh que vai ter medico?” claro que quando era bebe foi acompanhado por um pediatra, homeopata. cresceu sem precisar de remedios. nunca teve uma dor de garganta e o primeiro antibiotico que tomou foi aos 8 anos pra curar uma neglicencia.
sou uma mae satisfeita. onde investi e depositei minha atencao, carinho e amor, ve-se o resultado. onde falhei tambem eh visivel, mas pelo que me consta ainda nao nasceu nem mae nem filhos perfeitos.
aqui estou eu morando longe da minha cria desde fevereiro do ano passado. estive no brasil 2 vezes e agora seria o momento dele vir conhecer a vida por aqui e decidir onde queria morar. ele nao vem. continua la com muitos km nos separando. (e essa maravilhosa internet encurtando esta distancia).
e cá estou eu, carente, desabafando num blog quilométrico.

visto bruno


moidsch
negaram mais uma vez o visto pro meu filho vir me visitar. desta vez pedimos um visto temporario de estudante e mesmo assim eles nao deram.
money, money money. eh so uma questao de dinheiro. eh foda.
uma mistura de tristeza e raiva toma conta do meu coracao e da minha alma. to invadida por estes sentimentos. meu rosto ta inundado de agua salgada que escorre lentamente. este eh o gosto da tristeza. nao quero sentir revolta. nao quero nenhum outro sentimento ruim aqui dentro.
quero serenidade. quero luz pra ver as possibilidades futuras.
nao eh o fim do mundo. mas agorinha meu pensamento esta estagnado. imaginando como o bruno ta frustrado e decepcionado mais uma vez. e esta sozinho em recife.
queria ser uma fada agora, pra ir ate la e abraca-lo.
amanha… amanha. hoje eh so isso mesmo.

maria das dores


robei daqui que roubou deste outro
e sabe porque? meu nome hoje eh maria das dores. to nervosa, to ansiosa, to com colica pos-menstruacao (quando a gente ta assim aparece tudo quanto eh mazela). nao quero digitar. nao quero pensar. nao quero o desenho maior do que o real. tomei remedinho pra colica. tomei remedindo pra alma. estou indo de novo pra hoboken, desta vez com uma amiga brasileira (ana lucia) que mora em newark, nj.
mas eu queria mesmo era deitar numa rede e ficar la, ficar la, ficar la ate amanha de manha. lilia, porque voce eh desse jeito, lilia.?

esta eh a Minha

dona filomena e pequena lilia_resize.jpg
esta eh a Minha Vo. la estou eu no colo. e aqui estou eu com o pensamento estagnado como agua represada. dificil pensar noutras coisas da vida.
as perdas, embora sendo esperadas, serao sempre perdas. lembrancas de outras pessoas queridas que ja partiram se fazem presente. meu pai estava nos meus sonhos hoje cedo. ai, fico assim meio fora do ar, ou melhor, sintonizada em outro canal. normal.
sao muitas as imagens que passeiam agora como um filme de cor sepia.
ate meus 12 anos moravamos em casas vizinhas, sem muro de separacao. Filomena (todos a chamvam de “mada” e meu avo a chamava de “filozinha”. ela nao gostava de seu nome), era vaidade pura. nunca sentou-se curvando a coluna, tinha os ombros e a coluna sempre no lugar certo. e nao cansava-se de corrigir nossa postura. aprendi com ela a dizer “agradecida”. ela nunca dizia “obrigado(a)”. e quando agradecia alguem, as palavras eram pronunciadas com um sorriso contagiante.
orgulhava-se, com pertinencia, de seus dentes impecaveis, branco neve. todos os dias ao acordar, ia no limoeiro no quintal, espremia em um copo com agua e tomava em jejum. dizia que por isso seus dentes eram limpos. aos 65 anos comecou a fazer yoga. lembro nitidamente dela “plantando bananeira” nessa idade. nessa mesma epoca mudou a alimentacao: eliminou as carnes vermelhas, gorduras e acucar. 30 e tantos anos atras, estas atitudes eram pouco convencionais. talvez esta seja uma das razoes de ter vivido tantos anos com saude. fica com deus, minha vo!
domingo eh o dia das maes, e sabado, o aniversario do meu filho. tudo isso provoca um desejo imenso de estar junto deles. morar longe tem dessas coisas.
pronto, agora acho que vai da pra mudar o rumo da prosa!

vou sair por uma dessas portas e sorrir pro mundo porque a vida eh bela!
o dia esta maravilhoso, ensolarado, 26 graus. la vou eu caminhar no “beira-rio” (hudson park).