tem dias

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eles estão de costas um pro outro
o céu ainda não está azulado
o cinza predomina
mas é tudo impermanente.
tudo.
inclusive os probelmas.
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e eis que de repente, independente da gente, as cores mudam
mas a gente só vê se tiver ali na frente, de olhos abertos
se não… a imagem do cinza pode ficar no juízo
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os zois ficam as vezes embassados
não tem ray bam que de jeito
porque é da alma que vem a boa visão
é do coração que a vista de apruma
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esses desenhos de todo-santo-dia no céu
devia ser suficiente pra nós se encher de alegria e diminuir as tolices
mas também sei que as tolices fazem parte do desenho
então que tudo seja bonito. mesmo que seja tolo

#domingos

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satisfeito cheio depois da pedalar numa trilha bem bonita.
agora tou no quintal, olhando pro céu que ta com uma bela luz. fiquei com preguiça de ir ali. então a foto vai ser descrita: céu azul-pura-memória-de-algum-lugar com nuvens ralas, branco-pérola-quase-dourado feito pinceladas. pássaros miúdos voam em bando.
depois de escrever a frase, a cor das nuvens mais baixas vai mudando rápido para tons mais escuros.
ai quem dera ser poeta. engoli as palavras quando comecei a registar imagens que eu via.

impermanência

o curso é intensivo. o tempo todo.
muitos dias, falto a aula. muitas outras vezes, até vou à aula, mas escolho não prestar atenção pensando que assim dói menos. tem jeito naum, dói muito mais se faço de conta que nada passa, até quero que as flores das orquídeas fiquem alí, sempre. só se for de mentira, né mãe?!
as de verdade, murcham e passam.

confissões

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achei ali numa gaveta cheia de escritos antigos:
“eu olho pr’aquela lilia-comigo-ninguém-pode e fico meio perplexa
do tanto que eu pensei que era tudo verdade.
e era, mas hoje a verdade muda de nome.
ando vendo tantas certezas se desmanchando feito papelão molhado
lindo e doloroso
tanto dói como alegra
tanto arde como alivia
porque medo desvendado é um bocado de caminho andado
no rumo do sossego.
doida e corajosa de largar o que sustentava…
claro que parece capenga, feels like capenga
mas a verdade (atual) é que é muito mais firme
porque não tá se agarrando em nada
(aquela monja Pema Chodron tem uma imagem forte que é “se agarrar na água”)
e tome medo aflorando
medos que sempre moraram lá dentro…
atrás das sombras que não deixava aparecer
só inventando personagens destemidos e confiantes,
que andavam pra cima e pra baixo com as muletas “invisíveis”,
se achando invencível… e era.
mas essa parte do filme acabou
a tal da meia-idade chegou e o sentido dela fica cada da mais claro
crise – outro filme
sossego não é sol brilhando todo dia
é a serenidade de apreciar a tempestade”
p.s. tirei essa foto e quando fui olhar tinham duas sombras, uia!

primeiro dia do ano

sempre me FAZ muito BEM sair por ai pra ver as belezas e fazer fotos.
é meu bálsamo. é o “está presente”, pelo menos naquele minuto.
ontem acordei bem cedo e fui ver o sol nascer.
fiquei lá meditando, quieta.
chorei. chorei.
fiz um bocado de fotos me lembrando como fotografar virou grande prazer.
anos atrás eu saía com a camera, todos os dias, e voltada cheia de belas imagens. era tipo “vou alí colher alívio”.
muito bom.

recomeço

chegando de volta em casa.
aqui foi minha casa por muito tempo. eu me sentia acolhida e aconchegada por aqui.
mas tive que sair pelo mundo pra compreender as mudanças todas na minha vida.
nem sei se compreendi, mas não tem tem tanta importancia assim.
nesse tempo, uma parte de mim teve que se retirar, entrar em modo pausa, para poder abrir espaço para outras partes se revelarem.
parece que agora é hora de juntar tudo.
seja bem-vindo de volta, vadiando.

florida flores e a vida

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as estações na florida não são bem definidas como no resto do país. em janeiro a gente vê algumas árvores com cores de outono e do outro lado ipês e azaleas florindo. pra quem nasceu e se criou perto do equador onde as estações são de chuva ou de vento, tá bem bom por aqui.
o inverno, se a gente for comparar onde eu morei antes, é uma piada. é a melhor época daqui. a gente se diverte fazendo fogo à noite e à tarde sai pra passear de camiseta.
comecei a escrever esse post em fevereiro. agora já é abril, os ipês amarelos já floraram, as flores já caíram, as azaleas já murcharam e os buganvilles agora é quem estão reinando.
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a gente fica mal-acostumado com essas cores todas. fim de semana passado fomos à nyc rapidinho e eu abestada, nem me toquei que árvores ainda estão toas nuas. mas quem quer saber de folha verde em nyc???
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4.8

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FELIZ ANO NOVO de novo.
hoje começa meu 48o ano por aqui nesta vida. e eu continuo gostando do “passar do tempo”. até agora as melhorias são muiiiiiiiiiiiiiitoo maiores do que os estragos. é verdade que os cabelos estão mais iluminados; o corpo tá em pleno processo de mudança e boto fé de que já ele se ajusta à nova fase. os processos internos estão bem interessantes e gosto de observar e estudar as impermanências. mas o melhor de tudo é sentir o amor fluindo e transbordando independente das formas externas.
abri meus olhos para as belezas espalhadas ao meu redor e não sobra muito tempo pra brigar com as rugas aos redor deles. elas que se rebolem pra chamar minha atenção porque eu mesminha tou muito ocupada me deliciando com as cores do mundo. e meu desejo de sempre é que eu continue vendo cada vez melhor.
então pronto. deixo aqui minha alegria de viver e um abraço cheio de gratidão.
p.s. copio um trecho de um texto do rubens alves que escreve bem sobre essa coisa do “ver”:
“…William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”…”
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amém!