da série “é preciso CRER pra VER”

raphael-raphael-madonnasistina.jpg sem querer, eu achei uma explicação pro que eu tava chamando de viagem sem droga.
“O interessante no caso dos anjos é que, pelo fato de eles prescindirem de um corpo biológico como o nosso, a sua constituição inferior ou “corpo”, fica um degrau acima da nossa. Eles evoluíram para uma hierarquia logo acima do plano humano, onde têm à disposição possibilidades de incorporação na natureza ou na subconsciência humana. As suas energias e qualidades são necessária e intrinsecamente diferentes daquelas que vigoram para a assim chamada condição humana. As pessoas que sabem o que é estar intensamente expostas aos elementos (por exemplo, através de uma demorada excursão pelas montanhas, de uma perigosa viagem marítima ou de intenso trabalho em campo aberto) conhecem muito bem esta experiência subtil, em que nos apercebemos intuitivamente da presença nos elementos de forças para além da realidade física que nos cerca.” (Raul da Franca Leal de Carvalho Guerreiro)
hohoho

pteridófitas

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mostrei essa foto e perguntei se o nome era musgo. ela confirma e me sai com a palavra: pteridófitas. acabou em post:
“biologia
Lilia no msn quando falávamos de musgo, aquela plantinha:
“Já tenho um post pronto: pteridófitas: o nome é feio que dói, mas é bonito que alivia…”
e ela fez uma bela crônica falando de new orleans:
“Me sentindo estranhamente órfã de um sonho bom, comecei a buscar informações sobre a cidade submersa. Daqui do meu mundinho seco e confortável, li notícias, acompanhei buscas de pessoas, me indignei, fiquei contente com cada amigo de amigo que era encontrado, segui atentamente os passos de alguém que teve que abandonar seu cachorro e respirei aliviada quando soube que o cão estava vivo e muito bem. Busquei esperança o tempo todo. E embora pareça que me ocupei de pessoas ou de animais perdidos, estive ocupada comigo mesma, numa tentativa desesperada de não desacreditar da espécie humana. De mim.”

calgary – rocky mountains

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pois sim, essa viagem foi uma visita ao pai do paul. o irmão mais velho também foi e ficamos na casa da irmã-enteada, que estava de férias no méxico.
pra não sair cara demais, foi bem longa. pegamos um vôo que vai pra dallas, no texas, e depois uma conexão pra calgary. foram 12 horas de porta a porta. o irmão do paul que já tinha chegado, foi nos buscar no aeroporto e logo depois fomos na “casa de repouso” onde tá morando o pai.
no dia seguinte fizemos o belo passeio pelas rocky mountains. que coisa bonita viu? é montanha pra todo lado, cada uma mais imponente do que a outra. fomos direto pra lake louise onde fiquei extasiada. se as imagens já emocionam, imagina ao vivo.
eu e o david (o irmão) resolvemos subir uma trilha. não estávamos nem um pouco preparados pra isso, meu sapato inadequado, sem água, mas fomos assim mesmo. a primeira parte foi sofrível e tive uma demonstração nada agradável das condições dos meus pulmões. tsc tsc tsc (todo mundo calado, heim?), mas logo pegamos o ritmo e subimos um pouco mais da metade da trilha toda, que vai até uma casa de chá. no caminho tem uma clareira onde foi tirada essa foto abaixo. foi nesse ponto que a “embriaguez” se deu. parecia que eu tinha tomado ácido, ou qualquer coisa parecida. bom demais “viajar” sem droga nenhuma.
lilialakelouisevistodecimare.jpg

depois dessa caminhada, claro, que merecemos uma cerveja bem gelada. almoçamos por lá e pegamos a estrada de volta.
paramos em outro lago, tão bonito quanto, chamado lake moraine. aqui tem um tour virtual bem bonito. [a esta altura minha bateria arreou e espero pelas fotos que o david fez]
na volta paramos na cidade turística de banff que é point da região.
calgary é uma cidade sem muitos encantos. tem um parque bacana à beira do rio bow e em downtown tem uma rua interessante. como era feriado, estava quase vazia.
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e foi isso. bem bom.

“a outra viagem que não cessa…”

voltei. chegar de verdade, ainda não. a terra rodou mais lenta hoje. mentira. eu estava completamente lesma. ou tartaruga, à vossa escolha. não me deixe uma noite sem dormir que as consequências são imediatas. achei que ter dentista às duas da tarde ia me fazer chegar de verdade. nada mais real do que boca aberta com dentista futricando. saio correndo. a leseira era tanta que esqueci da hora. era bem perto de casa. chego às três-pras-duas, sem ter encontrado o nome do dentista. deus é pai. my name is lilia. i have an appointment at 2pm. nope. your husband canceled. hãmmmm? fiquei 43 segundos com cara de paisagem. estranho, ontem no avião ele me lembrou da consulta. ok. fazer o que? volta pra casa. de-va-ga-ri-nho.
talvez o efeito de retardada não seja só pela poucas horas dormidas. tem coisas que deixam a gente fora do ar. ou melhor, viajando sem parar. mesmo que a outra viagem já tenha acabado, a viagem continua.
voces devem tá perguntando que droga de droga foi essa que eu tomei… ei-la:

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achei na internet uma foto que mostra melhor o lake louise

vou ali desfazer a mala e mais tarde eu conto mais.
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bom feriado procês!

calagry, canadá

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amanhã cedinho estamos indo pra calgary, no canadá. é lá onde está morando o pai do paul. como aqui não tem os trocentos feriados que temos no brasil, vamos aproveitar o do dia do trabalho pra visitá-lo. diz que a região é bem bonita, arrodeada de montanhas e rios.
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deixo 28 graus aqui pra fazer um rápido estágio de “outono”.
o ruim é fazer uma mala pra três dias com a temperatura oscilando entre 22 e 3 graus. o melhor é usar o “modelo-homem”: uma calça, um short, uma camiseta, duas blusas de mangas compridas, um sueterzinho e um casaco. pronto. ai meu deusinho porque é heim, que mulher num é assim? 🙂
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aí em baixo tem show de impermanência, tem lamento do furacão, tem papo de pelicano com taxista, cantoria de cigarra, brincadeira de “eu… e voce?”. divirtam-se, terça eu volto!
boa viagem pra nós e bom fim de semana proces!

show de impermanência

é incrível a quantidade de “eventos” que acontecem através da grande porta de vidro que tenho na sala. eu fico sentada aqui de frente pra esta paisagem, contemplando e me deliciando com o movimento lá fora.

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o sol nasce. rasga nuvens. em segundos muda as cores do céu. muda a cor da água. pássaros vão e voltam. cantam. as cigarras acordam e cantam sem parar. o(s) esquilo(s) aparece. as nuvens passam ou nem se atrevem a chegar, quando o sol é mais rei. e me atrapalha a ver a tela. então vou olhar os “milagrinhos” nas plantas. todo dia tem flor nova. folha nova. filhotinhos brotando.
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o beija-flor vem, baila, vai em tudo o que é vermelho e se alimenta do nectar da flôr do hibiscus ou da água com açucar colorida. tenta o artesanato cearense, se toca que ali não tem comida. interessante é que as vezes “ele” vem mas outro vem atrás e carrega ele pra longe. num sei se brigam ou se amam. só sei que é bem bonito o “pas de deux”.
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gaivotas passeiam pra lá e pra cá. no inverno tinha cisnes desfilando serenamente. patos grasnam, nadam e voam. hoje um pássaro sentou na grade. e lá ficou por alguns segundos. passam barcos. a remo, motor e velas. passa gente sozinha lá em baixo. passa gente com cachoros. muita gente com cachorros. passa o vento que move as folhas das plantas, muda o jeito da água e a abana a bandeira. chegam nuvens cor de chumbo. muda a cor da água, muda a cor de tudo. as vezes chove.
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o sol vai andando, ou melhor, a terra roda. roda tanto que a luz vai pro outro lado. e ai ilumina só os barcos. nessa hora quando “a terra cora”, a dança é das borboletas. de repente escurece. é a hora dos mosquitos. e se sua carne for doce, é voce quem dança. escurece mais ainda e eles também se vão. eu fico me perguntando onde “todo mundo dorme”. tem dias com lua e o movimento continua.
e assim todo dia, nada igual. lição feita. lição aprendida: diz que não se entra no mesmo rio duas vezes. nem se voa no mesmo céu. permanente mesmo só minha teimosia.