o desejo de vadiar já vinha de longe…

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futricando num monte de papel que trouxe do ceará, achei algumas pérolas que escrevi (muitos) anos atrás:
ando tão diferente de mim… de uns tempos pra cá as necessidades e alguns desejos se modificaram. será que é o que chamam de maturidade? eu nunca gostei de dar nomes. tenho tido vontade de outono, de céu cinza, de melancolia legitimada pelo frio. alegria serena de beber um bom vinho em paisagens outras. e divagar… devagar… deixar que os pensamentos voem entre veredas com folhas amareladas. queria que meu pensamento fluísse como um rio de águas frias.
não queria gastar meu tempo em salas fechadas para afirmar meus valores. ser independente no pensamento, no desejo, mas sem a escravidão do salário.
não tenho vontade de trabalhar, trabalhar pra ganhar salário, sair de casa todo dia. não sei o que fazer, nem tão pouco me sinto perdida. me sinto espremida por uma sociedade que até então, pouco me importou.
mas tenho contas a pagar no banco …tenho um filho que custa algumas responsabilidades.
outro dia, um psicanalista me disse que falta de vontade de trabalhar é depressão… para mim, depressão é falta de vontade, simplesmente. eu continuo com muita vontade de viver, o que não tenho desejado é o simples movimento diário para o trabalho rotineiro… cansei de ser a fodona…
tenho tido pensamentos impesáveis, antes. a liberdade que anseio agora, não é mais a mesma…

e tem gente que não acredita no poder dos desejos hehehe
update: e por falar em outono e folhas amareladas…
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ela pegou daqui e eu entrei na brincadeira.

ela:
Bordo, costuro, tricoto, crocheteio, não pinto nem desenho, danço conforme a música, canto quando tenho vontade, não toco nada e nem toda arte me apaixona. Não fotografo e não entendo, nem teoria. Adoro ler, amo tecnologia mas sou fã do olho no olho. Louca por sabores e sensações – sou libra com muito escorpião. Tenho um senso de preservação chatíssimo, chega a doer. Gosto de animais e plantas, de gente também. Cabelos e peso dependem de fase, sempre sorrindo por fora, pouca gente me enxerga por dentro. Boa de garfo, faca e fogão. No bolso, nunca dinheiro, pouco conselho. Amo menos do que posso, não faço calos, mas se pisar no meu pé, fujo do tumulto. Gosto de chuva, de verão, de noite, de lugares que não conheci. Vivo no Rio, a vida também aborrece. Devo, não nego e to sempre pagando. Adoro colecionar gatos – inanimados -, se for de presente, melhor. Recebo mais do que dou. Cobro boa educação. Às vezes, mordo.
eu:
não sei bordar, costurar, tricotar, crochetar. não pinto nem desenho. já dancei muito, hoje nem tanto. danço conforme a música mas às vezes desligo, pra não dançar. canto muito ruim, mas canto. ja toquei flauta. hoje só toco a vida. nem toda arte me apaixona. faço fotos mas não entendo, só intuição. leio pouco. gosto de tecnologia. sou fã de olho no olho. mas gosto da troca anyway. louca por visuais e sabores – sou aquariana e nao sei o tanto de aires e de gêmeos. as vezes me falta senso, fico chatíssima. chega a doer. gosto dos animais que me aparecem, adoro plantas. adoro gente. cabelos e peso comportados, não mudam muito. sorrio por dentro e por fora. quem se aproxima enxerga por dentro facilmente. boa de garfo, nem tanto de fogão. no bolso muito mais conselhos que dinheiro. amo o tanto que posso, já amei fora da medida. calos não me cabem, muito menos sapato apertado. perco a festa mas não saio do conforto. não pise nem pegue no meu pé. antes que isso aconteça saio correndo. gosto de chuva -trovões, relâmpagos – dentro de casa. primavera, outono, verão, lugares novos. vivo em annapolis, usa. a vida é bela. devo, não nego, pago devagarinho. adoro coisinhas, se for presente, melhor. dou muito, sem miséria. joguei o caderno de contabilidade fora. a paga é certa. se prometem, cobro. posso morder.
e voce?

e por falar plantinhas…

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eu sempre sou muito “intensa” em tudo que faço. quando trabalhava, meu nome era trabalho. enfiava a cara e esquecia do resto do mundo. até porque fazer produção tem que se dedicar mesmo, se não for assim não acontece do jeito que é pra ser.
agora nessa vida de vadiagem, comecei a gostar de ter plantas. quando me mudei ano passado pra um apto com terraço e quintal, a curtição aumentou. na mudança pra cá a maior preocupação era de como transportá-las. o carro veio cheinho com elas.
agora a primavera chegou e me empolguei com as flores. gente de deus, eu acabei de contar quantos jarros, entre grande, médios, pequenos e miúdos eu tenho que cuidar: 51!!!. uia! e a variedade é grande: tem espada de são jorge, bromélia, lírio da paz (2, uma o paul encontrou no hall do prédio no dia que chegamos com um bilhete: “take it”), babosa (2), bambu-chines (2), pé de elefante, violetas (9), uma parente da palmeira (a primeira que compramos ainda em nyc), gerânios, lavanda, gérbera, comigo-ninguém-pode, papoula (pro pessoal do sul é hibiscus), florzinhas que num sei o nome (caixa, jarro grande e vários jarrinhos espalhados pela casa), suculentas, rouxinha e folhagem que também não sei como chama.
estarei obEcecada? nem sei, só sei que gosto bem muito de cuidar, ver crescer, florescer. já que num gosto de ter bichos de estimação, adotei as plantas pra me fazerem companhia e me mostrar o tempo todo a magia da natureza.
é verdade que às vezes me sinto bem abestadinha conversando com elas, mas dizem que a idiotice faz bem pra saúde. então pronto.
[quando estava escrevendo esse post, chegou um e-mail da querida leila com essas tirinhas. haja sincrônia!! valeu leiloca!]
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num preciso dizer mais nada né? ehehe
um ótimo fim de semana prá nós!

banquete para os cinco sentidos

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tato: abraços, beijos, pés descalços na areia, corpo deitado na rede, mãos lambuzadas de caranguejo, apertar a bochecha do bruno
olfato: cheiro de terra quente, maresia, perfume da minha mãe, peixe fritando na cozinha…
visão: olhos nos olhos, verdes-mares, coqueiros, jangadas, areia sem fim, sorrisos
audição: o som das ondas, do vento que balança as palhas dos coqueiros, muita-gente-falando-ao-mesmo-tempo, gargalhadas
paladar: carne seca, baião-de-dois, paçoca, macaxeira, queijo de coalho, cuzcuz, sorvete de sapoti, de cajá, pão com nata.
e o corpo todo vestido de afetos.
não é difícil morar longe de tudo isso que me é tão valioso, mas é imprescindível ter tudo isso pelo menos uma vez por ano. é vital pro meu equilíbrio, pra minha saúde, pra minha alegria. é como regarregar as baterias e ter fôlego pra seguir com a vida.
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então lá vou eu, amigos, no rumo do sol que arde, do mar imenso, do calor dos abraços apertados, me encher de afeto e alimentar minha alma.
deixo aqui minha alegria ligada numa mangueira xiringando* em todos voces! iuruuuuuuuuuuuuu
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fui!!!!

saindo aos poucos do modo “pause”

foto: lilia
minha mãe me pariu em janeiro de 1961. nasci, claro.
em outubro de 1980 eu tive oportunidade de nascer de novo, foi quando eu estava viajando em um veleiro, atravessando o atlântico. acho que foi a primeira vez que me olhei de verdade por dentro, a primeira vez que pude enxergar a imensidão e o poder do universo. ficar quinze dias entre céu e mar, com o horizonte com 360 graus. assistir o sol e a lua nascerem e se porem sem nenhuma interferência, foi uma extraordinária experiência para a adolescente de dezenove anos que eu era.
foi como acender uma luz dentro de mim e fiquei muito tempo atenta pra que ela nao se apagasse nunca mais.
mas, o dia-a-dia da vida faz essas coisas escaparem, e a gente acaba por “desaprender”. mas a luz não se apaga, mesmo que fique só uma pequena chama.
outras oportunidades aparecem pra que a luz retorne.
poucos anos depois, em maio de 1984 eu “dei a luz” ao meu filho bruno. foi outro renascimento. mais intenso, mais forte, mais vivo.
além de renascer, eu tinha um mestre, me reeducando incessantemente. foi por isso que larguei meu bom emprego e fui viver esse aprendizado infinito.
hoje, mais uma vez me sinto como se tivesse renascido.
recebi ontem o resultado negativo de uma biópsia, por isso fiquei recolhida este tempo, estudando, pesquisando dentro de mim pra compreender a linguagem que meu corpo está falando.
o resultado negativo alivia a angústia e a ansiedade, mas não significa que eu esteja saudável. por isso é que continuo aqui trabalhando às energias negativas que andei conservando, muitas vezes inconscientemente. é como arrancar as ervas daninhas que teimam em nascer no jardim. pra essas ervas não existe herbicida, é preciso identificá-las e arrancá-las desde a raíz, do contrário, elas revivem e geram o que chamamos de doença.
nesse processo li um texto muito interessante e vou colar uns trechos aqui.
“De uma maneira geral, a saúde é encarada como se fosse um estado de não-doença, de não mal-estar ou dor, quando o indivíduo pode continuar a levar a sua vida sem grandes alterações ou questionamentos. É muito mais fácil tomar um medicamento para aliviar uma dor de cabeça, do que compreender a mensagem que o organismo está sinalizando. Somos muito imediatistas, tratamos apenas das aparências, não buscamos a origem ou as causas de nossas doenças. …”
“É através da doença que alcançamos saúde. Verifica-se, com uma certa freqüência, em pacientes com doenças graves ou terminais, relatos acerca de estarem vivendo melhor ou mais saudavelmente, a partir do momento em que se conscientizaram de sua doença…”
“A doença é uma oportunidade para a introspecção, de modo que o problema original e as razões para a escolha de uma certa via de fuga possam ser levadas a um nível consciente onde o problema possa ser resolvido…”
cada dia que passa eu estou mais convencida de que TUDO que a gente vive nessa vida vem de dentro da gente. vem dos desejos, vem dos anseios, vem dos receios, vem das emoções, dos pensamentos, das energias que trocamos com o universo.
a vida é o que acreditamos que ela seja. simples assim.
depois deste momento estou me sentindo mais leve, mais forte, mais atenta e mais firme. sinto minha fé aumentada e legitimada depois desta experiência. grata e aliviada estou.

demorou, mas cheguei!!!

aqui estou de volta depois de quase 24h que sai da casa da minha mae. nao me conformo desta viagem ser tao longa assim, mas quem manda viajar pro nordeste? so sao paulo e rio de janeiro tem o privilegio de voos diretos. eh um absurdo voar pro sul pra depois voar de volta. mas fazer o que? aceitar e pronto. dar gracas de ter feito uma boa viagem e ter chegado salva em casa.
mas o melhor de tudo foi o encontro com a deize e a solange no aeroporto de guarulhos.
eh, eh, eh, elas sao duas loucas maravilhosas, que se largaram ate la pra me conhecer pessoalmente. foi muito legal. conversamos feito umas matracas, demos muitas gargalhadas e nos conhecemos melhor. enquanto eu tomava meus chopes, elas bebiam iced tea e agua com gas. adorei as duas: alto astral, simpaticas, inteligentes e super divertidas. nem vi o tempo passar, ao contrario de quando fico la sozinha, so a espera do voo.
eh por essas e outras que adoro esta comunidade blogueira. brigadaaaaaaaa solange e deize, foi otimo conhece-las 🙂
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pra fazer a foto foi hilario: o garcon que estava nos atendendo, um paraibano, nunca tinha pego numa camera na vida e ai ja viu a comedia. e eu dizia: “aperta macho, arre egua!” todos os garcons rolaram de rir da nossa marmota.
eh bom estar de volta em casa, mas confesso que nao foi facil sair desta vez. ainda estou meio zonza com os sentimentos misturados.
cheguei sozinha, meu paul esta em dallas e so volta a noite. a casa esta arrumadinha e limpinha com novas flores na janela.
ate agora so um passarinho apareceu rapidamente na janela e como nao encontrou as uvas de sempres, logo se foi.
uma chuvinha fina cai la fora colaborando com a melancolia do coracao.
amanha sera um novo dia, com mais alegria.
“Como fico ridículo quando esqueço que tudo passa. ”
(Ailin Aleixo)

p.s. agradecida a todos que passaram sempre por aqui. espero ate o final da semana colocar a vida online em dia. nestas tres semanas fora nao fiz minhas visitas habituais.

dia de saudade, dia de comemoracao

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hoje faz 4 anos que meu pai partiu.
hoje faz 2 anos que aqui cheguei para morar com meu paul.
a escolha da data foi inconsciente, mas logo depois vi que tinha tudo a ver. nada como ter alegria em um dia que podia ser de lembrancas tristonhas.
mas a verdade eh que a saudade do pai hoje em dia nao me doi mais como antes.
ano passado fiz um post no dia dos pais e como nao sei colocar o link pro post (help me luciana!!) colo aqui novamente:
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eh assim mesmo que o sinto, perto e me protegendo.
ja que nao posso recusar ou modificar a partida dele, aceito, e me sinto grata pelo tempo que passamos juntos. foi um previlegio te-lo tido como pai.
entao, fica com deus, pai, que eu te tenho no meu coracao.
aqui tem um texto que escrevi pra ele em 2000 logo depois que ele partiu
nao foi muito facil decidir seguir meu coracao e apostar na feliciadede por aqui. largar do meu cais, liliapaulpostere.jpgdeixando por la meu filho, minha familia, meus amigos, o clima tropical, a farinha e os carangueijos… eram muitas as incertezas: conseguir ser “mulher”, esposa, dona-de-casa dependente, outra lingua, outro clima, outro tudo. mas aqui estou porque queria muito ter um companheiro, viver junto, experiencia completamente nova. ate entao tinha tido muitos namorados, muitas relacoes complicadas e desencontradas, ate que resolvi ficar sozinha.
sozinha vivi muitos anos, sem abrir espaco no meu coracao.
depois da morte do meu pai comecei a desejar fortemente encontrar um parceiro para somarmos nossos amores.
aqui estou com meu paul, vivendo uma vida simples, com hamonia, amor, respeito e carinho na maior parte do tempo.
entao, tin tin!! pelo pai que eu tive. tin tin, pelo maridao que eu tenho!

coisas simples

a gente passa a vida toda ouvindo e lendo que deveriamos nos alegrar com as “pequenas coisas”. um dia a gente acredita…
o sentimento de ser boba aparece, mas tambem ouvimos dizer que ser bobo faz bem a saude e melhora a vida.
aqui estou, boba, abestada como a gente diz no ceara, me alegrando com a companhia do passarinho que aceitou minha hospitalidade.
agora vem todos os dias e perdeu o medo de se aproximar.
outra “bobagem” que nunca tinha me dedicacdo antes eh a de cuidar de plantas e me alegrar ao ver crescerem e as flores brotarem, assim simplesmente.
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(p.s. juro que nao fumo nem cheiro hihihi)
e pronto. eh isso. um “bobo” domingo pra nos!