
futricando num monte de papel que trouxe do ceará, achei algumas pérolas que escrevi (muitos) anos atrás:
ando tão diferente de mim… de uns tempos pra cá as necessidades e alguns desejos se modificaram. será que é o que chamam de maturidade? eu nunca gostei de dar nomes. tenho tido vontade de outono, de céu cinza, de melancolia legitimada pelo frio. alegria serena de beber um bom vinho em paisagens outras. e divagar… devagar… deixar que os pensamentos voem entre veredas com folhas amareladas. queria que meu pensamento fluísse como um rio de águas frias.
não queria gastar meu tempo em salas fechadas para afirmar meus valores. ser independente no pensamento, no desejo, mas sem a escravidão do salário.
não tenho vontade de trabalhar, trabalhar pra ganhar salário, sair de casa todo dia. não sei o que fazer, nem tão pouco me sinto perdida. me sinto espremida por uma sociedade que até então, pouco me importou.
mas tenho contas a pagar no banco …tenho um filho que custa algumas responsabilidades.
outro dia, um psicanalista me disse que falta de vontade de trabalhar é depressão… para mim, depressão é falta de vontade, simplesmente. eu continuo com muita vontade de viver, o que não tenho desejado é o simples movimento diário para o trabalho rotineiro… cansei de ser a fodona…
tenho tido pensamentos impesáveis, antes. a liberdade que anseio agora, não é mais a mesma…
e tem gente que não acredita no poder dos desejos hehehe
update: e por falar em outono e folhas amareladas…











queria ter podido parar aqui na frente pra escrever sobre SER e TER MÃE.


deixando por la meu filho, minha familia, meus amigos, o clima tropical, a farinha e os carangueijos… eram muitas as incertezas: conseguir ser “mulher”, esposa, dona-de-casa dependente, outra lingua, outro clima, outro tudo. mas aqui estou porque queria muito ter um companheiro, viver junto, experiencia completamente nova. ate entao tinha tido muitos namorados, muitas relacoes complicadas e desencontradas, ate que resolvi ficar sozinha.