saindo aos poucos do modo “pause”

foto: lilia
minha mãe me pariu em janeiro de 1961. nasci, claro.
em outubro de 1980 eu tive oportunidade de nascer de novo, foi quando eu estava viajando em um veleiro, atravessando o atlântico. acho que foi a primeira vez que me olhei de verdade por dentro, a primeira vez que pude enxergar a imensidão e o poder do universo. ficar quinze dias entre céu e mar, com o horizonte com 360 graus. assistir o sol e a lua nascerem e se porem sem nenhuma interferência, foi uma extraordinária experiência para a adolescente de dezenove anos que eu era.
foi como acender uma luz dentro de mim e fiquei muito tempo atenta pra que ela nao se apagasse nunca mais.
mas, o dia-a-dia da vida faz essas coisas escaparem, e a gente acaba por “desaprender”. mas a luz não se apaga, mesmo que fique só uma pequena chama.
outras oportunidades aparecem pra que a luz retorne.
poucos anos depois, em maio de 1984 eu “dei a luz” ao meu filho bruno. foi outro renascimento. mais intenso, mais forte, mais vivo.
além de renascer, eu tinha um mestre, me reeducando incessantemente. foi por isso que larguei meu bom emprego e fui viver esse aprendizado infinito.
hoje, mais uma vez me sinto como se tivesse renascido.
recebi ontem o resultado negativo de uma biópsia, por isso fiquei recolhida este tempo, estudando, pesquisando dentro de mim pra compreender a linguagem que meu corpo está falando.
o resultado negativo alivia a angústia e a ansiedade, mas não significa que eu esteja saudável. por isso é que continuo aqui trabalhando às energias negativas que andei conservando, muitas vezes inconscientemente. é como arrancar as ervas daninhas que teimam em nascer no jardim. pra essas ervas não existe herbicida, é preciso identificá-las e arrancá-las desde a raíz, do contrário, elas revivem e geram o que chamamos de doença.
nesse processo li um texto muito interessante e vou colar uns trechos aqui.
“De uma maneira geral, a saúde é encarada como se fosse um estado de não-doença, de não mal-estar ou dor, quando o indivíduo pode continuar a levar a sua vida sem grandes alterações ou questionamentos. É muito mais fácil tomar um medicamento para aliviar uma dor de cabeça, do que compreender a mensagem que o organismo está sinalizando. Somos muito imediatistas, tratamos apenas das aparências, não buscamos a origem ou as causas de nossas doenças. …”
“É através da doença que alcançamos saúde. Verifica-se, com uma certa freqüência, em pacientes com doenças graves ou terminais, relatos acerca de estarem vivendo melhor ou mais saudavelmente, a partir do momento em que se conscientizaram de sua doença…”
“A doença é uma oportunidade para a introspecção, de modo que o problema original e as razões para a escolha de uma certa via de fuga possam ser levadas a um nível consciente onde o problema possa ser resolvido…”
cada dia que passa eu estou mais convencida de que TUDO que a gente vive nessa vida vem de dentro da gente. vem dos desejos, vem dos anseios, vem dos receios, vem das emoções, dos pensamentos, das energias que trocamos com o universo.
a vida é o que acreditamos que ela seja. simples assim.
depois deste momento estou me sentindo mais leve, mais forte, mais atenta e mais firme. sinto minha fé aumentada e legitimada depois desta experiência. grata e aliviada estou.

27 comentários em “saindo aos poucos do modo “pause””

  1. ai lilia, sentir o alívio já é como dar um impulso e voltar a superficie e buscar ar,conheço vc um poucão e sei q vc jamais pararia de nadar,bjs miga!

  2. Oi Lilia, adoro suas reflexões. É fundamental que a gente fique sempre atenta às nossas emoções, aos sinais do corpo e da mente. Eles são importantes para a nossa saúde física e mental. Bom saber que o pior passou. Imagino a sua expectativa. Cuide-se bem. Você é uma pessoa forte, aberta e positiva. Sei que de longe a gente não pode ajudar muito, mas deixo o meu carinho e o meu desejo para que tudo fique bem. Beijos.

  3. Ola! Encontrei teu blog no site Mundo Pequene e achei super Bacana. Tbm moro e New York! Quando puder passa la no meu Cantinho. Bjokas e uma otima Quarta =)

  4. O susto nos faz repensar o dia-a-dia, não é ?
    Trabalha mesmo pra remover aquilo que não é seu.
    Mudando de assunto, que maravilhosa está a foto ! E mudando novamente, me acabei de rir com o fato de sua mãe parir e vc nascer.
    Beijossssssssssssssss!

  5. Querida Lilia,
    Concordo com você, também acho que a mente rege tudo. No entanto estamos vivendo dentro deste organismo vivo, que não para nunca. Nosso coração não pula uma batitda sequer desde que nascemos. Há uma “mecânica” a ser considerada, com os avanços da medicina vivemos cada vez mais. Precisamos cuidar para que o coraçãozinho seja forte, e resistente para durar mais também, assim como todos os outros orgãos. Por isso penso que certas doenças aparecem, nem sempre causadas por sentimentos, quem sabe por cansaço “mecânico” e por isso respeito muito a medicina e seus tratamentos. Lembra, doenças tem cura. Grande Beijo Stella

  6. Lilia,
    Ainda não li o texto anterior. Mas quero dizer que vc mesmo estando mais introspectiva, mais quietinha ou murcha, é sempre e sempre será um ser humano LINDO!
    Beijo vc daqui de longe.

  7. Olá amiga, esse era o momento de está com suas amiguinhas blogueiras, e isso mim faz lembrar um versículo da Bíblia: Entrega o teu caminho ao Senhor, confia N’ele e o mais Ele fará”.
    Se nossa confiança está em Deus, o espírito e o corpo sempre estará forte para lutar em todas as circustancias de nossas vidas.

  8. Lilia,
    Bom saberque está tudo bem. Entendo bem o que você diz sobre a reflexão necessária e a atenção aos sinais do corpo.
    Às vezes, precisamos de umas sacudidas dessas. O importante é você ter percebido e que também não passou de um susto.
    Beijo grande,

  9. Tomara que a linguagem do corpo e da alma possam ensinar-nos mais que a tamanha fofocagem entre. Uffa! Embora o fogo ilumine, tb pode queimar. E, se algumas pérolas que guardamos absurdamente, revelarem-se falsas, melhor enfeitar a lenha… Força aí que tem bastante energia chegando através da fé dessas mulheres de “antenas” que cativastes, viu? Um abraçuuuuu.

  10. Lilia,
    Vim parar aqui através do “Baianices” e me identifiquei muito com este seu post. “a vida é o que acreditamos que ela seja. simples assim.” – esta frase resume tudo em que eu mais acredito. Saúde!
    Um abraço,
    Lys

  11. Minha amada, essa foi uma das notícias que mais me deixou feliz. Era essa que eu queria ouvir agora. O que eu quero para mim, quero igualzinho para ti, tu é a minha querida.
    Beijos, Lilia.

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