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chegamos ontem tarde da noite, cansados mas muito contentes. mais tarde eu volto pra contar uns detalhes e mostrar belas paisagens.
Autor: Lilia Lima
orlando-calgary-waterton park-glacier national park-spokane-coeur d’alene-boise-orlando
sub título: ô sábado, chega logo, anda!

eu gosto muito muito de viajar, de conhecer o novo. meus olhos ficam brilhando, doidínhos pra ver novidades. e quando a viagem também é nas estradas, eu gosto mais ainda. e atravessando montanhas? uia, aí que os olhos ficam cheinhos de alegria. e quando tem também reencontros com amigos pra matar saudade e viajar um pouco junto, é aquela coisa do “priceless”.
pois pronto. sábado a gente sai daqui pra calgary, onde mora o pai e uma irmã do paul (e a sobrinha que veio nos visitar em julho). ficamos lá até terça à noite. na quarta bem cedo a gente pega estrada na direção do waterton lakes national park .

peguei essa foto aqui
mas nós vamos atravessar a fronteira e ficar hospedados três dias no parque do lado americano, glacier national park.

de lá nós vamos até spokane, cidade no estado de washington, onde conseguimos uma loja da locadora pra devolver o carro que alugaremos em calgary.
não foi muito fácil ajeitar essa viagem, porque tudo começou com a idéia juntar os três prazeres: visitar o pai do paul, viajar pelas montanhas (rocky mountains) e visitar a cyn em boise (pra onde ela mudou em maio). a primeira tentativa foi de voar até boise e de lá alugar um carro e ir até calgary atravessando os parques, mas não conseguimos nenhuma locadora que aceitasse a devolução do carro no canadá. daí que a cyn se entusiasmou com a viagem também e resolvemos inverter a ordem: voaremos pra calgary e ela nos pega em spokane. de lá nós vamos todos pra coeur d’alene onde a gente dorme uma noite. parece uma bela cidade à beira de lagos. e finalmente, de lá a gente ruma pra boise e fica até dia 3 que é o feriado do dia do trabalho por aqui.

a única dificuldade que tenho é de arrumar a mala com um clima variando entre 17 e -7 graus. uia! difícil não levar um monte de roupa.
então, se a única dificuldade é essa, a satisfação tá garantida.
e lá vou eu alimentar a alma e os olhos. na volta eu conto os detalhes.
cores e graça

flores da minha terra

flamboyant é minha árvore preferida. era só o que a gente via viajando pelo sul da flórida. todos florados, lindos! e nessa rua em keywest eu fiquei impressionada: acácia, flamboyant e bungavillia tudo na mesma quadra. uia!
fiquei mais surpresa ainda quando vi uma mangueira carregadinha de manga bem alí na frente de uma casa. eu não sabia que manga aguenta frio. sim, porque aqui faz frio. quase nunca congela. é raro temperatura ficar abaixo de zero, mas em fevereiro quando cheguei aqui, peguei dois dias que amanheceu 1 grau. bom, só sei que a mangueira ta lá cheinha de manga e eu doida pra bater na porta e dizer: ô, me dá uma manga pelo-amor-de-deus, melhor pedir do que roubar” :-))))
e alguém haverá de dizer: ai vai, e por que ela não compra uma e come? e eu digo que quem diz isso nunca na vida provou uma manga tirada do pé, que é uma delícia. e mais, as mangas que a gente compra aqui normalmente vem lá do nordeste do brasil. ou seja, tiram do pé super verde e não há como o gosto ser o mesmo. mas eu queria mesmo era provar o gosto da manga que pasa pelo inverno, isso sim hihihi
e por falar em fruta tropical, meu paul resolveu plantar mamão. e os pézinhos estão crescendo bem legal. se todos vingarem (12 pés), vou acabar indo vender papaya na feira, ou então boto um aviso na calçada: free papaya. assim as criaturas que nem a lilia não precisam bater na porta pedindo.
é tanto do assunto que eu vou deixando passar e quando abro o editor do blog fico querendo falar de tudo junto. mas vamos aqui devagarinho e vê o que sai.
—> viagem à port izabel – south padre island, texas

no final de julho nós fomos ao texas para um encontro da familia do paul. eles sempre fazem essas “reunion” mas eu nunca tinha ido e dessa vez tinha um motivo especial: jogar as cinzas da mãe-biólogica dele.
agora eu conheci todos dessa família cheia de ramificações. apesar da cerimônia fúnebra, foram cinco dias muito legais, e a viagem foi bem melhor do que eu pensei.
[aliás, aqui pra nós, ô mania besta que a gente tem de ficar pensando tolices sobre tudo a toda hora. affe.]
a anfiantriã da reunião foi a irmã mais nova do paul, que mora numa bela mansão na beira da água em port izabel. fizemos poucos passeios e passamos a maior parte do tempo em casa (com piscina, sala de jogos, cinema, barcos e outros brinquedinhos mais. uia!), comendo, bebendo e alegrando coração com esse monte de gente junto.
sabiamente, foi sugerido energicamente (pra não dizer proibido) que não rolasse conversas sobre religião e política. graças! assim a paz reinou e nos divertimos muito.
—> o passaporte
port izabel/south padre island são cidades de veraneio que fica bem ao sul do texas, quase na fronteira com o méxico. e um dos passeios programados era um jantar num restaurante atravessando a fronteira, então o paul me falou pr’eu pegar meu passaporte porque talvez precisasse na entrada na volta.
na segunda-feira antes da viagem (saímos na sexta) eu fui pegar o passaporte e para minha surpresa ele estava vencido desde de maio :-0!
bom, ir jantar num restaurante na fronteira do méxico não era nenhum problema porque eu bem podia ficar em casa curtindo o silêncio. o que me deixou um pouco agoniada pra resolver é que temos uma viagem pro canadá no dia 25 de agosto… pois é. deu tudo certo, mas confesso que passei dois dias lidando com as chuvas de pensamentos negativos que vêm. que coisa! tudo normal. tudo coisa corriqueira, mas a tendência é sempre pensar que NÃO vai dar certo. credo. e olha que eu nasci otimista! o maior trabalho não foi conseguir falar com alguém no consulado em miami pra saber a melhor forma de requerer no tempo que eu precisava (se ia pessoalmente em miami que leva 4 horas de estrada pra ir e 4 pra voltar, ou se fazia via correios); não foi conseguir achar um lugar que fizessse as fotos no tamanho diferente do padrão americano; não foi conseguir um notário que reconhecesse minha assinatura no formulário em português (depois que falei com alguém no consulado, decidi fazer pelo correio e sendo assim precisa reconhecer minha assinatura). o maior trabalho foi direcionar o pensamento pro que eu queria, ou seja, ter meu passaporte renovado no tempo certo. pronto. se simplesmente eu desligasse o botão-medo e ligasse o botão-jádeutudocerto, tudo ia ser do mesmo jeito, com uma diferença básica: sem estresse.
enviei os documentos necessários via “sedex” na quarta e recebi o passaporte novo na outra sexta. ou seja, exatamente 10 dias incluindo o fim de semana. e o melhor de tudo é que me livrei dessa foto de “prisioneira-que-matou-a- mãe-do-guarda”.

mas esse relato todinho foi pra mostrar que a vida é mesmo assim, sempre tem essas coisas pra cuidar e que a gente pensa tolice demais e que os consulados (pelo menos de washington d.c. e de miami) funcionam muito bem-obrigada. :-)))
novas experiências

depois que eu senti o gosto bom de mudar de idéia, só quero saber de tentar coisas diferentes. pintar as unhas dos pés era a coisa mais impossível de acontecer, mas como a física quântica diz que as possiblidades são infinitas, fui cedendo ao possível lentamente. [tá certo que resolvi fazer isso no país errado, porque as manicures asiáticas, decidamente, não sabem fazer unhas bem feitas. além de não tirar as cutículas direito, pintam mal e porcamente].
em nyc pintei pela primeira vez, mas fui muito infeliz na escolha da cor: olhava para os meus próprios pés e parecia que não eram meus. dois dias depois comprei um vidro de acetona pra acabar com aquela agonia.
depois, muito depois, de vez em quando fazia as unhas mais pelo mimo das massagens (a gente senta numa cadeira de massagem e bota os pés numa mini-jacuzzi. e antes de pintar as unhas, elas dão uma massagem até legal nos pés e nas pernas). depois passei a pintar daquela cor bem clariiiiiiiiiiinha que a gente não sabe se é só base ou se tem um rosa lá longe. e assim semana passada eu criei coragem e taquei o vermelho… … … … … acho que não vai ter de novo naum :-))) fica então o registro para a posteridade!!
só lembrando que…
pra elas saírem voando lépidas e fagueiras,
antes ficaram um tempão atravessando um buraquinho pra sair do casulo…
não que eu ache que tenha-se que sofrer pra conseguir o que se quer…
mas há sempre “um tempo” pra tudo se encaixar.

pois então que a pressa desapareça e que serenidade “se achegue” e faça moradia em nós.
que o “ser feliz” não espere pelo “lado de fora”
que o sorrir seja constante “apesar de…”
e que o amor teime em achar espaço pra sair fluindo e transbordando.
amém!
bodas de SEDA












meu lovão lindão gostosão querido do meu coração,
nosso casamento está como o vinho: vai passando os anos e gente vai ficando cada vez melhor.
pois que nosso amor cresça, sempre, e que fique cada vez mais jovem pra que a gente brinque cada vez mais e mais e mais feliz a gente fica! ARHMILY
amém! tin tin! cheers! key west










faltou fotos da grande muvuca em key west. já tinha visitado key west quando vim aos estados unidos 27 anos atrás. a imagem que tinha era da viagem de carro por pontes e mais pontes. nesse tempo eles devem ter aterrado algumas partes, mas continua sendo uma bela viagem. eu gosto muito da confusão de turistas com os habitantes da cidade. tem um clima de ilha, de “hiponguice”, de vida descontraída, não sei naum, sei que eu gosto e muito.
tomamos algumas muitas margaritas pra aliviar o calor o que faz tudo parecer ainda mais “tudo bem” :-))
ainda hóspedes
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o amigo de fortaleza viajou na quinta. mas visitantes sempre aparecem, como esse dois pica-pau (sei fazer plural de pica-pau naum, como é?). e ontem chegou a tatiana, uma sobrinha do paul, de 14 anos. uia.
ainda bem que meu mantra atual é “tudo é bom“. no final das contas é mesmo. basta olhar direito. assim vou hoje fui conhecer o epcot center e amanhã a gente pega estrada no rumo de key west.


update: o tal do epcot center é uma grande bobagem, mas o importante é que a menina-adolescente gostou e eu adorei os fogos no final de tudo.
agora já estamos em duck key uma ilhota bem onde tá essa setinha na foto acima. viemos via miami com parada em south beach, com direito a banho de mar em água mais morna do que em fortaleza.



este foi o pôr do sol visto em key west. quando chegar em casa eu conto mais.
e por falar em cearenses…

Estamos partindo estão chegando
Ronaldo Correia de Brito
Radicado em Pernambuco, o escritor cearense Ronaldo Correia de Brito fala sobre o nosso povo, que é “igualzinho à areia que o vento carrega, se põe em rebuliço e parte”. como um estrangeiro que pensa em voltar, mas não volta
O garçom que me serviu num restaurante chinês, em São Paulo, era cearense de Sobral. Quando falei de minha origem, ele trouxe um colega de Saboeiro para me apresentar. À noite, numa cantina italiana, fui atendido por dois cearenses de Jericoacoara. No almoço do dia anterior, num self service da Paulista, os garçons também cearenses haviam nascido em Tauá e Mombaça.
Não posso concluir que todos os garçons de São Paulo são cearenses, nem que todos os cearenses que moram em São Paulo são garçons. No máximo, suponho que existem muitos cearenses em São Paulo e vários deles são garçons. Eles falam com nostalgia da terra onde nasceram, pensam em retornar de férias, mas param a conversa por aí. Recordam a paçoca e a rapadura, mas já se acostumaram ao ravióli, ao sushi e ao yakisoba.
Talvez o traço mais desenvolvido nos cearenses seja a capacidade de adaptação. Será que somos mesmo um povo nômade, que gosta de migrar? Isso se tornou lenda; somos comparados aos judeus. Mas os judeus muitas vezes deixaram a terra de origem na marra, levados para algum cativeiro. E que estranha força nos empurra sempre para longe? Talvez a carência; quem sabe, uma falta de tudo. Caí no terreno arenoso da psicanálise. Todo indivíduo busca preencher essa falta, do mesmo jeito que se aterram buracos. Os cearenses vão atrás do que não existe no Ceará, como os turcos, os romenos, os ucranianos, os armênios e os africanos: a subsistência.
O Ceará é o melhor lugar do mundo, no coração do cearense. Os olhos enchem de lágrimas se relembra os verdes mares bravios, as jangadas, o entardecer sertanejo. Mas voltar pras origens, no sério, de verdade, poucos cearenses desejam. Acostumam-se à terra longínqua, aos costumes novos, aos sabores exóticos. Acham melhor aquietarem-se. Carregam a secura do deserto na alma, a areia, o vento. E basta.
O solo praieiro cearense ondula. Dunas móveis. Pedro Nava, um escritor mineiro com ascendência cearense do lado do pai e da mãe, fala disso no livro Caminhando na Praça de São Marco, em Veneza, sentiu uma insegurança ao pisar, uma leve tontura, como se o chão fizesse curvas. Lembrou da infância em Fortaleza, o mesmo temor em dar os passos. Veneza flutua sobre ondas marítimas, o Ceará flutua sobre areias de deserto. O vento Siroco atravessa Veneza, o Aracati arrepia as areias do Ceará.
O Aracati é aquele que vai embora por derradeiro, no belíssimo poema de Joaquim Cardozo, intitulado Congresso internacional dos ventos:
“O último que se pôs a caminho foi o vento Aracati:
– Cortou uns talos de chuva
Com eles fez uma flauta
E se foi, tocando e dançando,
E se foi pela estrada de Goiana.”
Móvel o vento, móveis as areias, gente móvel. O cearense, igualzinho à areia que o vento carrega, se põe em rebuliço e parte. Nem olha para trás, teme virar estátua de sal. Na areia frouxa do chão nada se sustenta, nenhum edifício consegue ser duradouro. Como podem crescer as árvores de gente, na areia frouxa? Voam para longe as sementes e os frutos, enquanto o Ceará rodopia. Retirantes não sabem mais de que lado ele fica, nem que rumo tomar para retornar a ele. Exilam-se do Ceará real, transformando em imaginação, devaneio, passagem, o que parecia verdadeiro.
Cearense estrangeiro pensa em voltar, mas não volta. Quem está sempre por aí no Ceará, com negócios prósperos, são outros, os estrangeiros: portugueses, espanhóis, italianos, Deus sabe quem mais… Uma colonização em tempos globalizados? Gente que gosta de sol, de praia, de riscos. Como gostamos de frio, de museu, de segurança. E ao nosso modo cearense, transpomos fronteiras e oceanos e colonizamos Portugal, Espanha, Itália… Jeito pacífico de quem come baião-de-dois em piquenique no Bois Boulogne, falando do Ceará como se ele existisse de verdade.
[Ronaldo Correia de Brito é cearense, contista, dramaturgo e médico. Autor de As Noites e os Dias (1996), Faca (2003) e O Livro dos Homens (2005).
daqui a pouco eu volto pra contar como é que eu sinto essa coisa de “Estamos partindo estão chegando”.
voltei:
quando vim morar aqui cinco anos atrás, eu pensava em voltar para o ceará em 6-7 anos, quando a condição financeira permitiria.
hoje eu confesso que não penso mais em voltar pra morar. meu desejo mudou e agora eu quero mais é “ter um pé aqui e outro aculá”, ou seja, ter condição de passar 5 meses lá (dezembro-janeiro-fevereiro e julho-agosto) e 7 meses aqui. não na florida porque gostei bem muito de morar onde as estações são bem definidas com natureza abundante. os espetáculos da primavera, do outono e a primeira/última nevada fizeram muito bem pra minha alma, então bem posso voltar a morar em maryland onde tem as duas coisas e o frio não é de matar.
quando a saudade vira presença, e a distância deixa de ser medida geográficamente, “o melhor lugar é o ser feliz”, como diz o caetano,
mas isso é hoje e como a única coisa permanente na vida são as mudanças, eu bem posso mudar esse desejo de novo e de repente ir morar de volta na beira d’uma praia e vadiar ao som das ondas do mar o do roçar das palhas dos coqueiros. né naum?